O casal depois do filho


Falar sobre o casal depois do nascimento do filho ainda é um terreno movediço. Primeiro porque ainda alimentamos, no fundo, a crença de que um filho une o casal, e segundo porque, ao longo da história, a criança foi ganhando um lugar tão especial na vida familiar, que os aspectos relacionados aos outros personagens, mãe e pai, e principalmente, o casal, foram ficando cada vez mais secundarizado.

Mas, a verdade nua e crua é que a chegada do filho desestabiliza o casal. Na prática, porque o bebê demanda uma atenção demasiada da mãe. E isso não só é necessário para que o recém nascido sobreviva, como é, ao mesmo tempo, nesse dedicar integral que podemos ver surgir o vínculo entre mãe e bebê e a identidade de mãe. Só que para muitos pais essa nova realidade é estranha. Ela atrapalha a rotina e os costumes do casal. Enquanto a mãe se sente envolvida numa nova relação, por mais exaustiva que ela seja, e, talvez, por se encontrar num estado psíquico diferenciado, ela encara a mudança de uma forma totalmente diferente do homem. Este, por sua vez, se vê afastado, excluído e muitas vezes rejeitado, pois a mulher por se encontrar tão cansada, não encontra energias para vivenciar a relação do casal (muito menos quando se trata da relação sexual, visto que sua libido se encontra praticamente voltada para os cuidados com o bebê).

E aí, como fazer, não é mesmo? O que salva um casal de um contexto como esse? Infelizmente terei que apelar para um clichê: o diálogo!!! Mas esse diálogo deve existir antes do surgimento do filho. Se ele não é um hábito entre o casal, será muito difícil começar a incluí-lo como costume depois que as transformações já estão instaladas. Eu diria, portanto, que aquilo que o casal já possui antes do filho faz uma diferença enorme para o período depois que esse filho nasce.

Bom, mas antes de tirar todas as esperanças, algumas coisas eu posso enumerar que, de alguma forma, pode ajudar, tanto a nova mãe como o novo pai, a encarar esse novo desafio:

  1. O pai precisa entender que os primeiros meses são cruciais para a nova dupla mãe e bebê. E que em muitos momentos, ele pode sim se sentir colocado de lado, mas isso não significa que a mulher não terá mais interesse ou desejo por ele.

  2. Se o pai consegue se colocar numa posição de apoio, sobretudo emocional, a relação do casal só tem a se fortalecer. Esse apoio deve ser geral, tanto no sentido de entender as limitações da mulher, como protegê-la de situações familiares e sociais que ela mesma demonstra fragilizá-la.

  3. A mãe não é só mãe, e é importante para ela se sentir amada e cuidada pelo parceiro. É importante,portanto, olhar a mãe para além do bebê, ou seja, se preocupar com ela e não apenas como bebê. Isso pode ser demonstrado ao procurar saber se as coisas como estão sendo conduzidas com o bebê estão bem pra ela, se ela se sente bem fazendo as coisas daquele jeito, etc. Esse tipo de atitude além de prevenir possíveis adoecimentos maternos, só tende a fortalecer a relação entre o casal.

  4. Deixar que o pai realize alguns cuidados com o bebê não apenas é bom para a mãe, que pode descansar um pouco nesses momentos, como é extremamente favorável ao surgimento do vínculo mais intenso entre pai e bebê. Além disso é bom que o bebê perceba que cada um realiza os cuidados à sua maneira, que cada um tem um jeito particular de realizar as coisas. E que ele pode se sentir confortável e acolhido mesmo diante de contextos distintos.

Bom, essas são algumas dicas para começar. Lógico que cada caso tem suas particularidades e nem sempre encontraremos esse mesmo panorama nas famílias, pois devemos considerar a individualidade e história de cada um. Mas é bom ressaltar que o casal representa algo muito mais importante do que imaginamos, pois é o casal que se encontra na origem do projeto do bebê. E não importa de que tipo de família estamos nos referindo, o que importa é o que encontramos entre os pares que estão ali presentes, dito de outro modo, o que importa é o nível (se é que posso considerar assim) de cumplicidade e sintonia que existe entre o casal parental - sejam duas mulheres, dois homens, um homem e uma mulher, ou até mesmo, pais que nunca foram casados ou pais que passaram pela separação - e a forma como a história e a personalidade de cada um interfere positiva e negativamente na relação dos dois e na família como um todo. Precisa conversar sobre isso? É só agendar um horário (clique aqui)! Ficarei contente em poder ajudar!

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