Sobre o pai


"Não consigo pensar em nenhuma 

necessidade da infância tão intensa 

quanto a proteção de um pai" 

(Sigmund Freud, 1930).

Estamos pertinho do dia dos pais, não é mesmo! Então para falar um pouquinho desse personagem familiar tão importante, compartilho um artigo sobre o papel do pai desde os primeiros dias do nascimento do bebê. Tantas vezes colocado de lado, quase que como uma fotografia, o pai requer um lugar próprio junto às mães e aos filhos. Mas que lugar é esse?

Tendo me dedicado há alguns anos ao estudo da função do pai no desenvolvimento da criança, hoje, acompanhando tão de perto a vida de gestantes e puérperas, me vejo reavaliando essa função no que se refere aos momentos iniciais da vida do bebê. Como se realiza, ou como pode ser compreendida a função do pai num momento onde o bebê necessita tanto da mãe? Num momento onde todos os especialistas – obstetras, pediatras, psicólogos, enfermeiros – estão voltados e preocupados com a relação mãe e bebê? Qual o lugar possível para o pai nos primeiros meses de vida do recém-nascido? 

Mas já vou antecipando que tudo que será dito sobre o pai não se restringe aos primeiros meses; eu diria que são observações importantes sobre o papel do pai que deveria ser considerado ao longo da vida da criança e da mãe. 

Vamos então ao pai. Atualmente, encontramos formas variadas de participação do pai no cuidado com o recém-nascido. Enquanto em algumas famílias os pais são mais ativos – trocam fraldas, dão banho, colocam para arrotar –, em outras, encontramos pais que não podem ou não se sentem habilidosos para realizar tais tarefas práticas. 

Essa ajuda pode ser importante para algumas mulheres e promover tranquilidade no lar, mas sabemos que muitas vezes é difícil para certas famílias estabelecerem essa divisão de tarefas com relação ao bebê quando o pai está fora trabalhando e a mãe em casa de licença maternidade.

Cada caso é um caso, e as particularidades de cada família devem ser levadas em consideração. Mas abordando esse tema de forma geral, o mais importante é que o pai possa ser o suporte emocional e afetivo da mãe e mulher. O que vem a ser isso? 

O pai como suporte é aquele que protege a mulher dos estímulos negativos que surgem do ambiente externo. É aquele que se preocupa não apenas com o bem estar do filho, mas que também está atento ao bem estar da mulher. É aquele que não julga, não critica, mas escuta, acalenta, protege. É aquele que observa; que está sensível às necessidades da mulher. 

É aquele que impõe, por exemplo, limites a determinados tipos de visitas, quando percebe que são visitas que afetam emocionalmente a mãe. É aquele que tenta elaborar uma tarde de atividades fora de casa com o filho mais velho que visivelmente demanda demais da mãe num momento em que ela se sente tão cansada e dividida... ao mesmo tempo em que é também aquele que coloca o recém-nascido para dormir para que a mamãe possa ter seu momento também com o mais velho... 

É aquele que respeita a indisposição física e sexual da mãe, pois observa que ela já tem muito com o que se ocupar, e que quem precisa mais dela naquele momento é realmente o bebê. Mas é também aquele que assume a maternagem do bebê (não como uma ajudinha, mas como uma de suas responsabilidades como pai) por perceber que a carga é pesada demais para uma única pessoa dar conta. 

Cuidar de um bebê é um trabalho muito pesado, mesmo com muito amor envolvido. E é bom lembrar que o cansaço provocado por essa dedicação integral ao bebê pode ir muito além de um cansaço físico. E além de comprometer os cuidados com o bebê, ele pode também fazer a mãe adoecer psiquicamente. Além disso, vale ressaltar, que nem sempre ter um profissional (babá ou auxiliar de enfermagem) significa que a mulher consegue ou pode de fato descansar, e isso se dá por inúmeros motivos que caberia um outro artigo. 

Para finalizar, a função do pai é, portanto, possibilitar à mãe se dedicar ao bebê sem ter que se haver com outros tipos de aborrecimentos e enfrentamentos sociais, que naturalmente surge em toda família e em todo meio social, de forma a favorecer um ambiente propiciador para a maternidade e para a saúde emocional materna. O nascimento de um filho requer do homem a função de proteção e amparo emocional. É o super pai, um pai que pode virar mãe, que pode virar o que for necessário para o cuidado da sua família. 

Parece muita coisa, não? Mas também não é um mundão de coisas que se espera de uma mãe? Fica a reflexão.

Texto parcialmente publicado na Revista Meu Bebê Bahia, Ano III, n. 06