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Sobre

Sou Fernanda Leal, psicóloga por formação e leitora por paixão. No meu percurso acadêmico, me dediquei ao estudo da psicanálise, onde descobri uma via de trabalho que pretende justamente os vazios. Fiz disso uma profissão, orientando-me para a escuta dos silêncios na clínica com mulheres mães, de onde nasceu meu livro “A tristeza comum da mãe: reflexões sobre o estado psíquico do pós-parto”, resultado da pesquisa do Doutorado em Família na Sociedade Contemporânea (Ucsal). Foi nessa instituição, no mesmo programa de pós-graduação, que realizei o mestrado, que resultou no livro “O pai: uma função em declínio”

Entre o primeiro livro sobre o pai, e o segundo sobre a mãe, um acontecimento: a maternidade. Uma experiência de escrita e leitura constante, desse outro e de quem somos dentro e fora dessa relação. Mas a psicanálise nunca me bastou. A literatura, de alguma forma, sempre me seduziu para além de uma leitura acomodada tanto dos textos psicanalíticos como dos romances e autores com os quais me identificava. Mas foi o meu encontro com textos sobre a escrita (mais especificamente os livros da Lucia Castello Branco e o livro “A preparação do romance” do Barthes) que a chave virou de vez. Descobri então, algo muito precioso, que da relação com os livros e as palavras (e os autores) alguma coisa se configurava como uma espécie d'amitié.

Aprendi a partir daí a caminhar nas margens da escrita, fazendo das horas vagas meus momentos de silêncio onde arrisco o risco do que não pode, essa coisa chamada escrever (que não pode, mas se escreve, como disse Duras). E esse novo traçado que venho realizando com as leituras, com a escuta e com a escrita, acabou por atravessar o Instituto Matern. 

O Instituto Matern nasceu da experiência de maternidade, que como tal também sofre constantes ressignificações. E nesse ano de 2022, quando completa 11 anos, o Instituto que já vinha crescendo para além da psicanálise, ganha esse novo recorte, como centro de estudos em psicanálise, arte e literatura. Essa transformação é, para mim, a confirmação de algo que aprendi com Llansol: que “a vida cresce para uma forma”, “escrever é amplificar pouco a pouco” e o aprendizado da leitura é nunca chegar ao fim. É dentro dessa proposta de que nunca cheguemos ao fim, de que sempre há milhas a serem percorridas, que eu convido vocês a enveredarem por essa nova estrada, através dos estudos e encontros oferecidos pelo Instituto Matern.